40 anos — força, falhas e propósito
No dia 27 de maio de 2026 (amanhã)
eu completo 40 anos.
E nesses dias que antecedem essa data eu comecei a pensar sobre tudo que vivi até aqui. Lugares que conheci, pessoas que passaram, batalhas que lutei, escolhas certas, escolhas erradas e principalmente sobre o homem que me tornei ao longo do caminho.
Mais do que um aniversário, essa data parece uma virada de ciclo.
E talvez o mais curioso seja perceber que exatamente 10 anos atrás eu também estava encerrando uma fase da vida e começando outra sem imaginar onde aquilo iria me levar.Foi naquele período que fiz o Caminho da Fé.
Na época, a peregrinação representava muito mais do que apenas caminhar quilômetros por estrada. Era uma necessidade de silêncio, reflexão e reencontro comigo mesmo. E olhando hoje, percebo que muita coisa começou ali.
Foi durante aquele período que me aproximei do esporte de resistência. Primeiro vieram as bicicletas, o mountain bike, os treinos e as competições. Acabei sendo campeão de uma temporada e mais tarde competi uma prova internacional na Colômbia. Depois vieram as ultramaratonas, justamente quando percebi que desafios extremos têm uma capacidade absurda de moldar nossa mente, nosso caráter e a forma como encaramos a vida.
Talvez por isso eu goste tanto desse universo até hoje.
Porque provas longas nunca foram apenas sobre esporte.
Sempre foram sobre transformação.
Também criei um podcast. E talvez uma das coisas mais valiosas disso tenha sido ouvir histórias humanas reais. Conversar com atletas, profissionais e pessoas comuns me fez perceber que todo mundo trava batalhas internas que quase ninguém vê.
Conheci muita gente e amei de verdade!
Também errei. E se existe algo que eu mudaria na minha história, seria justamente isso: eu gostaria de ter sido melhor em alguns momentos.
Melhor como homem.
Melhor em decisões.
Melhor em atitudes.
Mas acho que amadurecer também é entender que ninguém atravessa a vida sem carregar arrependimentos, cicatrizes ou culpas.
A diferença está no que fazemos com isso.Tem gente que endurece.
Tem gente que se torna amarga.
Tem gente que desiste.
E tem gente que transforma dor em construção.
Hoje, aos quase 40 anos, eu percebo que força de verdade não tem relação com arrogância, agressividade ou necessidade de parecer superior. Força real é conseguir continuar firme sem perder humanidade. É suportar o peso da vida sem se tornar cruel. É continuar acreditando em honra, lealdade, responsabilidade e princípios mesmo vivendo num mundo que muitas vezes trata tudo isso como fraqueza.Também percebo o quanto fui privilegiado pelas pessoas que caminharam comigo. Tenho os melhores amigos que poderia ter e uma família que, apesar das adversidades e imperfeições que toda família carrega, continua sendo uma família. E hoje eu entendo o valor absurdo disso.
Eu sou fiel às minhas tradições, à minha fé católica e aos valores que carrego desde cedo. Mas estou longe de ser perfeito. E talvez exista até certa paz em aceitar isso. Porque no final das contas, amadurecer não é se tornar impecável.
É continuar tentando.
Continuar levantando.
Continuar protegendo.
Continuar carregando responsabilidades.
Continuar honrando aquilo que você acredita.
Aos 40 anos, talvez eu não tenha todas as respostas. Mas pela primeira vez em muito tempo, sinto que entendo melhor quem sou.
E isso já significa muito.


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